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Apresentação

Se fosse possível resumir todas as emoções de produzir um festival em apenas uma atividade, talvez pudéssemos dizer que o momento mais estimulante do processo é a seleção dos filmes. De um lado, pensar nas mostras que vão compor a programação e nos temas que merecem destaque em cada contexto. De outro, assistir e selecionar os curtas inscritos que vão compor as mostras principais – este ano ultrapassando a marca dos 3,6 mil filmes, de todos os continentes e da maioria dos Estados brasileiros. 

A multiplicidade de vozes é tanta que desencadeia uma série 
de reflexões e abre a possibilidade de compreender não só o momento da produção mas também de enxergar uma nesga da realidade em si.

Antes mesmo de começarem as manifestações que se 
espalharam por todo o país neste inverno acalorado, tínhamos decidido fazer um programa especial sobre o Cinema do Desbunde, complementado por uma série de filmes recentes em Super 8. Na década de 1970, o Super 8 foi uma inovação que facilitou a produção, reduzindo custos e garantindo a mobilidade do realizador, o que deu margem à criação de filmes ousados e irreverentes, que desafiaram o fazer e o pensar da época. Hoje o acesso à produção de imagens em movimento é quase universal. E a difusão desse conteúdo está ao alcance de alguns poucos cliques na Internet. O grande desafio é concatenar um discurso – um novo discurso – que se destaque na multidão. 

A programação desta edição do Festival, que combina a ousadia de realizadores de várias épocas e locais, é um bom ponto de partida para conhecer o que está sendo feito nesse sentido, 
à luz da própria história do curta-metragem.

Apesar de restrições orçamentárias, o Festival –- que se mantém como projeto convidado do Programa Petrobras Cultural, garantindo assim suas bases – se expandiu geograficamente pelo interior do Estado graças à demanda dos próprios locais e também a novas parcerias. O Governo do Estado de São Paulo e a Sabesp viabilizaram a intensa programação de Sorocaba e Votorantim, 
com apoio do Sesc e do Senac e de outros parceiros locais. 

Em São Paulo, diversos pontos da Zona Leste recebem parte da programação do Festival em função do trabalho conjunto com a Secretaria Municipal de Cultura, além de debates e exibições que serão realizados com parceiros em comunidades da Zona Sul, Leste e Norte. Essa parceria também permitiu a realização de mais uma edição das Oficinas Kinoforum – Módulo II, dessa vez na Praça das Artes, um espaço novo em folha, lindo, que catalisou jovens realizadores de todo o município garantindo um recorde de mais de 240 inscrições.

Gostaríamos então de agradecer a todos os realizadores que nos confiaram seus filmes e a esses parceiros que garantem a chegada do Festival a públicos cada vez maiores e mais variados, assim como a todos os amigos – visionadores e curadores – que participaram do processo de seleção dos filmes, o que rendeu longas e divertidas conversas e nos permitiu encontrar um diapasão em meio a toda a multiplicidade de vozes e silêncios 
que a realidade atual do audiovisual nos proporciona. 

Sejam bem-vindos e desfrutem!

Zita Carvalhosa
Diretora

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