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Apresentação

Nos últimos 15 anos, a voracidade das mudanças trazidas pela globalização e pelo desenvolvimento de novas tecnologias inspirou o filósofo Zygmunt Bauman a cunhar a expressão “mundo líquido” para definir a realidade do mundo atual, marcada pela quebra de paradigmas e pela incerteza constante. Quando pensamos nessa fluidez, a imagem mais óbvia é a da água que corre pelo leito do rio, cuja força pode destruir barreiras e avançar sobre os obstáculos. Nem sempre lembramos, porém, que a temperaturas extremas até o que nos parece mais sólido – que é a terra – se liquefaz e se torna lava.

Talvez o curta-metragem seja uma das expressões artísticas mais rápidas no sentido de captar as erupções cotidianas do nosso mundo líquido. E o Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo – com quase 400 filmes de mais de 60 países – é sem dúvida um espaço privilegiado para se tomar contato com essas manifestações. Sua programação – nos programas da Mostra Internacional, Mostra Latino-americana, Mostra Brasil e Panorama Paulista – reflete as questões mais quentes do mundo e propõe reflexões sobre as inquietações que chamam a atenção de jovens e consagrados realizadores, ao mesmo tempo em que oferece atividades paralelas que aprofundam o debate.

A partir de parcerias com festivais mundo afora, todo ano emprestamos olhares externos a nossos programas especiais. Além da programação que tradicionalmente marca presença, este ano ainda trouxemos o Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência e o New York Portuguese Short Film Festival. Escolas de audiovisual do Brasil e do mundo – e projetos de oficinas de realização audiovisual – têm sempre presença garantida, o que amplia ainda mais as visões de mundo à disposição do público.

A variedade e a qualidade das obras inscritas também nos inspiram a criar programas, propondo aproximações entre filmes brasileiros e estrangeiros, novos e antigos, que trazem um colorido ainda maior à programação. Com o apoio da Cinemateca Brasileira, comemoramos o centenário de Paulo Emílio Salles Gomes com filmes em que o próprio mestre é personagem.
Ficção, documentário, animação, experimental: assim como a matéria líquida ultrapassa barreiras modificando o ambiente, também desaparecem cada vez mais as fronteiras dos gêneros audiovisuais. A visão autoral, porém, é cada vez mais indispensável – é do mundo particular do artista que surgem novos caminhos e propostas para o todo. É por isso que nunca deixamos de agradecer a todos que nos confiam seus filmes e também aos patrocinadores, correalizadores e apoiadores, que apostam no audiovisual como instrumento de mudança e questionamento constantes.

Convidamos a todos para conhecer essa multiplicidade de olhares e explorar os novos territórios que a fluidez do mundo atual nos proporcionam.


Zita Carvalhosa

Diretora do Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo

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