Balanço do mercado em 2008

Do site Filme B (www.filmeb.com.br)

     Depois de amargar resultados fracos em praticamente todo o primeiro semestre de 2008 – quando chegou a registrar uma queda de público de mais de 10% –, o mercado de cinema no Brasil voltou a crescer a partir de julho, e desde então seguiu uma firme trajetória de recuperação que culminou no excelente desempenho do mês de dezembro. O resultado foi uma pequena alta no total de ingressos vendidos (89,6 milhões, 3% a mais do que em 2007) e na renda do ano (R$ 727,8 milhões, alta de 2,1%).

     Embora tenha sido capaz de interromper – ou quiçá reverter – a tendência de queda que persistiu por três anos consecutivos (de 2005 a 2007), 2008 não conseguiu bater a marca dos 90 milhões de espectadores. A alta da bilheteria acumulada indica que o preço médio do ingresso manteve a curva ascendente dos últimos anos, ficando em R$ 8,12 (+1,8%).
    
     O público do cinema nacional fechou o ano com 8,8 milhões – o patamar mais baixo desde 2002 –, registrando queda de 14,5% em relação a 2007. Em renda, a queda foi de 12,3%, contra o aumento de 3,9% para o cinema estrangeiro. E, como a ligeira alta do ano em ingressos vendidos foi puxada pelo aumento de público do filme estrangeiro (2,2%), a participação de mercado do filme brasileiro encolheu para 9,8% – também o pior índice em seis anos.

     Meu nome não é Johnny, filme brasileiro de maior sucesso do ano passado, fechou o ano em oitavo lugar no ranking geral do ano e em primeiro no ranking nacional, com público de pouco mais de 2 milhões de espectadores. A queda significativa de 17,7% do público total do top ten possibilitou também que filmes médios terminassem o ano em boa posição, como é o caso de Crespúsculo, distribuído pela Paris Filmes, ou, em menor escala, de Ensaio sobre a cegueira, de Fernando Meirelles, uma co-produção entre Canadá, Brasil e Japão vista por quase 900 mil espectadores no país.

     Uma das surpresas nacionais do ano foi o drama Bezerra de Menezes – O diário de um espírito, filme de temática espírita que teve excelente abertura e média de espectadores por cópia, permanecendo por três semanas no top ten do fim de semana. Os outros destaques nacionais no ranking ficaram por conta da comédia Casa da mãe Joana, de Hugo Carvana, e dos dramas urbanos Última parada 174, de Bruno Barreto, e Linha de passe, de Walter Salles e Daniela Thomas.

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